'Ela não se lembra de nada', diz advogada de mulher suspeita de envenenar artesã com mercúrio por meses

Artesã filma aluna colocando substância em garrafa e denuncia ter sido envenenada A defesa de Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, suspeita de envenenar com ...

'Ela não se lembra de nada', diz advogada de mulher suspeita de envenenar artesã com mercúrio por meses
'Ela não se lembra de nada', diz advogada de mulher suspeita de envenenar artesã com mercúrio por meses (Foto: Reprodução)

Artesã filma aluna colocando substância em garrafa e denuncia ter sido envenenada A defesa de Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, suspeita de envenenar com mercúrio a artesã Denny Cardoso por mais de seis meses no Recife, disse que ela tem problemas psiquiátricos e não se lembra de nada sobre o caso. A mulher era aluna de um projeto social onde a vítima trabalhava e, em duas ocasiões, foi filmada jogando uma substância numa garrafa de água (veja vídeo acima). "Ela disse hoje (segunda-feira, 13) para o psiquiatra que não se lembra de nada. Não se lembra de nada do que aconteceu naquele dia. Nem do que tomou no café da manhã, nem de ter saído de casa", afirmou a advogada Ana Maristela Trajano, que representa a suspeita. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE As filmagens foram feitas em junho de 2025 depois que a artesã começou a ter sintomas de intoxicação, como dores abdominais e transtornos neurológicos (saiba mais abaixo). No dia da segunda gravação, a vítima chamou a Polícia Militar, que levou as duas para a Central de Plantões da Capital. Desde então, o caso é investigado pela Polícia Civil. O inquérito ainda não foi concluído. "Existe um laudo, realmente, de intoxicação por mercúrio, mas a minha cliente afirma que não lembra nada do que aconteceu naquele dia. Chamaram a polícia na hora, depois do vídeo. A filha dela foi lá. Ligaram para mim. Conseguiram sair do prédio, porque ela estava muito nervosa. E eu disse: 'não, você vai para a delegacia se explicar'. Até hoje, minha cliente diz que não lembra de ter ido para a delegacia. Não lembra de ter assinado nenhum boletim de ocorrência. Não lembra de nada", disse a advogada. LEIA TAMBÉM Artesã sentiu ‘bolinha’ de mercúrio na garganta e chamou PM Dores, problemas motores e queda de cabelo: entenda sintomas Veja o que se sabe sobre o caso De acordo com Ana Maristela Trajano, a cliente tem, ao menos, quatro diagnósticos de doenças psiquiátricas, como deficiência intelectual leve, episódios de depressão, síndrome do pânico e transtornos psicóticos, e não trabalha por conta disso. Também segundo a advogada, Maria Aparecida assistiu ao vídeo e admitiu ser a pessoa que aparece nas imagens, mas não consegue se recordar de nenhum momento em que tenha posto qualquer substância na água da artesã. "Confirmou que é ela. Mas não lembra o que ela colocou. Não lembra de quem era a garrafa. Não lembra onde ela estava. Aí foi dito [que ela estava com] a farda branca. Só quem usava essa farda branca era quem estava lá no momento. Aí ela disse: 'realmente, então, fui eu'", contou. Apesar disso, a advogada alegou que não é possível afirmar que a aluna envenenou a vítima. "Não tem prova até o momento de que aquela garrafa era de propriedade de ninguém. A vítima acusa que aquela garrafa era dela, mas ela não provou até agora no inquérito. Ela não sabe o que colocou na água, não sabe de quem era a garrafa. A gente tem que aguardar o inquérito ser finalizado", disse. Ainda de acordo com a advogada, foi apurado durante o inquérito que as duas mulheres tinham uma "rixa antiga" por causa de um homem de quem gostavam, mas nem disso a suspeita se lembra. "Inclusive ela [a suspeita] queria visitar [a vítima] quando soube que ela estava andando de muleta. Perguntaram para ela: 'você soube que ela estava andando de muleta?' Ela disse: 'sim, mas ela sempre andou de muleta'. Ela sempre viu ela [a artesã] de muleta", declarou. Mulher flagrada contaminando garrafa d'água com mercúrio no Recife Reprodução/WhatsApp O caso Médico Marcos Gallindo explica os sintomas de intoxicação por mercúrio Denny Cardoso trabalhava dando aulas no projeto social "Arte na Medicina", que funcionava no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife. Maria Aparecida era aluna do projeto e, segundo a artesã, apresentava um comportamento hostil com ela sem um motivo aparente. Denny suspeitou que havia algo errado com a água que ela tomava depois de sentir que havia "bolinhas" no líquido. Ela contou que chegou a pôr o dedo na garganta e retirar parte da substância, que ela guardou e entregou às autoridades. Antes disso, a artesã conta que já havia desconfiado do comportamento da aluna, quando um dia flagrou a mulher mexendo na garrafa. "Ela disfarçou, como se estivesse tirando a garrafa de um lugar para outro", disse ao g1. Depois de ter descoberto as "bolinhas" na água, a artesã decidiu filmar a aluna. Ela passou a deixar o celular com a câmera ligada quando saia da sala. Em duas ocasiões, flagrou a aluna colocando algo na garrafa. Na primeira vez, ela foi à Delegacia da Boa Vista. Na segunda, chamou a Polícia Militar, que levou as duas mulheres para a Central de Plantões, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte da cidade. O boletim de ocorrência registrado no local mostra que a suspeita negou que tivesse envenenado a bebida, mas os policiais encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa dela, e que a mulher tentou tirar o objeto das mãos dos agentes. Desde então, a vítima disse que sentiu vários sintomas, como dores abdominais, músculos enrijecidos, dificuldade para andar e urinar, e segue fazendo tratamento com neurologista e fisioterapia. Segundo a artesã, a equipe médica que a atendeu afirmou que, pela quantidade de mercúrio encontrada em seu organismo, é provável que ela tenha sido exposta por um período de oito meses e um ano. O caso é investigado pela Delegacia da Boa Vista desde junho de 2025. Segundo a vítima e seu advogado, todos os laudos periciais já foram concluídos, mas o inquérito ainda não foi finalizado. Procurada pelo g1, a Polícia Civil não respondeu o porquê da demora na conclusão do inquérito, nem por qual crime Maria Aparecida Rodrigues de Araújo é investigada. A corporação informou apenas que o caso segue sob investigação e que não pode divulgar mais detalhes para não comprometer as diligências. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias